O paciente que virou pesquisador: como o Google reescreveu o caminho até o médico no Brasil

Com mais médicos do que nunca e pacientes cada vez mais digitais, ser um bom profissional deixou de ser suficiente — é preciso também ser encontrado

SPASS Pró

9/2/202615 min read

worm's-eye view photography of concrete building
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Antes de telefonar para um consultório, entrar numa clínica ou pedir indicação a um amigo, uma parcela cada vez maior dos brasileiros faz outra coisa primeiro: abre o navegador. Digita um sintoma, o nome de uma especialidade, o nome da própria cidade. Compara avaliações, verifica endereços, olha fotos de salas de espera antes mesmo de saber se vai precisar, de fato, de uma consulta.

Uma pesquisa Vox Populi encomendada pelo Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS) e divulgada em janeiro de 2026 mostra que 60% dos brasileiros afirmam buscar informações de saúde na internet — e, entre esses, nove em cada dez apontam o Google como o principal ponto de partida para entender sintomas, doenças, diagnósticos e tratamentos. O levantamento, feito com 3.200 pessoas em oito regiões metropolitanas entre julho e agosto de 2025, revela ainda que 19% dos entrevistados já recorrem a ferramentas de inteligência artificial para interpretar essas informações.

Esse comportamento não é um detalhe de comportamento digital: é o novo ponto de partida da jornada de cuidado. E ele vem sustentado por uma infraestrutura de conectividade que já alcança a maior parte do país. Segundo a pesquisa TIC Domicílios 2024, do Cetic.br e do NIC.br, 84% dos brasileiros usam internet — proporção que sobe para 89% quando somado o acesso via aplicativos de celular. Do total de usuários, 32% afirmaram ter buscado informações sobre saúde pública na rede nos meses anteriores à pesquisa.

É nesse cenário — mais gente conectada, mais gente pesquisando saúde antes de agir — que nasceu, e amadureceu, um novo mercado de serviços dedicados a ajudar médicos e clínicas a serem encontrados. Esta reportagem analisa essa transformação: como o paciente mudou, o que isso criou em termos de mercado, quais são os limites éticos dessa comunicação e para onde a tecnologia está levando esse setor.

1. O paciente está no Google — e nem toda busca quer dizer a mesma coisa

Pesquisas como "cardiologista perto de mim", "ortopedista em Ribeirão Preto", "ginecologista em Curitiba", "onde fazer ressonância magnética" ou "clínica de exames perto de mim" se tornaram parte da rotina digital do país. Um levantamento do aplicativo Olá Doutor divulgado em 2026, baseado em buscas do Google ao longo de doze meses, identificou o Distrito Federal como o estado com maior volume de pesquisas por sintomas de doenças, seguido por Rio Grande do Sul e São Paulo — com destaque para termos ligados a quadros agudos, como pancreatite, apendicite, viroses e labirintite, que somaram mais de 2,7 milhões de buscas no período.

Há, porém, uma diferença importante entre duas categorias de busca que costumam ser tratadas como iguais. Uma pessoa que pesquisa "sintomas de enxaqueca" está, majoritariamente, atrás de informação — quer entender o que está sentindo. Já quem pesquisa "neurologista perto de mim" ou "clínica de dor de cabeça em [cidade]" já demonstra uma intenção mais próxima da contratação de um serviço: quer encontrar alguém, agendar, resolver. Essa distinção — batizada pelo mercado de marketing digital como diferença entre "intenção informacional" e "intenção transacional" — é o que orienta boa parte das estratégias de posicionamento hoje usadas por consultórios e clínicas: aparecer bem no primeiro tipo de busca constrói autoridade; aparecer no segundo converte em agendamento.

A escala desse movimento também aparece em plataformas privadas do setor. A Doctoralia, uma das maiores plataformas de saúde do mundo, afirma reunir mais de 26 milhões de acessos mensais de pacientes em busca de profissionais — volume que dá uma medida do tamanho da "porta de entrada digital" que se formou nos últimos anos.

2. Do "conhece algum médico bom?" ao "o que o Google diz sobre esse médico?"

A pesquisa espontânea substituiu, ao menos em parte, a antiga lógica da indicação por conhecidos. O paciente de hoje não deixou de pedir recomendações a amigos e familiares, mas passou a somar a isso um comportamento de comparação ativa: lê avaliações, confere fotos do consultório, verifica horários de atendimento e reputação antes de decidir onde será atendido. Essa mudança é mais evidente entre gerações mais jovens, acostumadas a resolver praticamente tudo pelo celular.

Os números de reputação online ajudam a entender por que isso importa tanto. Somente em 2024, mais de 1,13 milhão de avaliações de pacientes foram publicadas no Brasil em plataformas do setor, segundo dados da Doctoralia — um volume que evidencia a força do que se chama de "boca a boca digital". Estudos internacionais do setor de saúde, como o da consultoria americana Software Advice, apontam que a maioria dos pacientes já usa avaliações online para escolher médico e tende a confiar nelas quase tanto quanto em uma indicação pessoal — um padrão de comportamento que o mercado brasileiro vem repetindo à medida que a adoção de perfis digitais avança por aqui.

Mas seria um erro tratar esse processo como uma simples decisão de consumo, equivalente a escolher um restaurante ou um serviço qualquer. A saúde envolve vulnerabilidade, assimetria de informação entre profissional e paciente, e consequências que vão muito além da satisfação com um produto. Um estudo publicado nos Cadernos de Saúde Pública, da Fiocruz, com 200 pacientes e 92 médicos de um hospital terciário brasileiro, constatou que 85,6% dos pacientes pesquisam sobre saúde na internet — mas de forma cética em relação ao que encontram, o que também afeta a própria relação médico-paciente. A pesquisa do IESS de 2026 confirma esse ceticismo em escala nacional: mesmo entre os 60% que buscam informações de saúde online, a maioria diz não confiar totalmente no que encontra, preferindo tratar a internet como uma etapa de orientação, não como substituto da consulta médica.

Isso muda o que significa "aparecer bem" no digital para um profissional de saúde: não basta ranquear no topo de uma busca. É preciso transmitir informação clara, atualizada e responsável — o oposto do sensacionalismo ou da promessa fácil.

3. Um novo mercado nasce: a ascensão do marketing médico no Brasil

Foi nesse contexto que se consolidou, na última década, um ecossistema de empresas especializadas em ajudar médicos e clínicas a construir presença digital: agências de SEO médico, gestão de Google Ads, criação de sites, produção de conteúdo, gestão de reputação online, sistemas de agendamento e posicionamento local. Até poucos anos atrás, era comum que profissionais de saúde contratassem agências de marketing generalistas — as mesmas que atendiam lojas de varejo ou restaurantes — sem conhecimento das regras éticas específicas da publicidade médica. Hoje, o mercado caminha para maior especialização, com empresas que dizem estruturar suas equipes especificamente em torno do funil de decisão do paciente e das normas do Conselho Federal de Medicina (CFM).

Esse movimento é também uma resposta a um dado estrutural: o Brasil nunca teve tantos médicos. Segundo a Demografia Médica 2024, estudo do CFM, o país soma 575.930 médicos ativos — uma proporção de 2,81 profissionais para cada mil habitantes, a maior já registrada na história do país (mais detalhes na seção 8). Com mais profissionais disputando a atenção de um número finito de pacientes em cada região, contar apenas com a indicação boca a boca tradicional deixou de ser suficiente para muitos consultórios e clínicas — o que impulsiona a procura por soluções profissionais de presença digital.

4. SEO ou Google Ads? Entenda a diferença — e os limites de cada um

De forma simplificada, SEO (Search Engine Optimization) é o conjunto de práticas para conquistar visibilidade orgânica — ou seja, não paga — nos resultados de buscadores como o Google. Já o Google Ads é a publicidade paga que aparece nas primeiras posições da página de resultados, mediante lances por palavras-chave.

Cada estratégia tem vantagens e limites. O SEO tende a gerar resultados mais duradouros e, por não depender de investimento contínuo em anúncios, costuma ser visto como mais sustentável a médio prazo — mas exige tempo para amadurecer e depende de conteúdo relevante e de sinais de autoridade e confiança, especialmente em temas de saúde, que o Google classifica na categoria "YMYL" (Your Money, Your Life, ou "seu dinheiro, sua vida"), reservada a conteúdos com potencial de afetar diretamente o bem-estar do usuário e submetida a critérios de qualidade mais rígidos.

Já o Google Ads oferece visibilidade imediata, mas enfrenta restrições crescentes no setor de saúde. Desde 2025, o Google vem atualizando suas políticas de publicidade personalizada: passou a restringir a segmentação de anúncios por condições de saúde sensíveis e a exigir, a partir de julho daquele ano, uma certificação específica para anunciantes que usam termos ligados a medicamentos controlados, mesmo quando o público-alvo são profissionais de saúde. Palavras-chave associadas a especialidades como psicologia e psiquiatria também passaram a sofrer mais restrições, segundo relatos do próprio setor de marketing médico.

Em ambos os casos, vale um alerta que agências do setor costumam repetir: aparecer no Google não significa, necessariamente, conquistar pacientes. O resultado depende de uma combinação de fatores — intenção de busca, localização, reputação acumulada, qualidade da página de destino, experiência de navegação, disponibilidade de horários e facilidade real de agendamento. Um anúncio bem posicionado que leva a um site desatualizado ou a um número de telefone que ninguém atende tende a converter pouco, por melhor que seja o investimento em mídia.

5. Mais do que Instagram: o que realmente compõe uma estratégia digital para médicos

Existe um equívoco recorrente de que "fazer marketing médico" significa, essencialmente, publicar conteúdo em redes sociais. Na prática, uma estratégia digital consistente para a área da saúde costuma envolver uma combinação bem mais ampla de frentes: presença otimizada no Google e em mecanismos de busca (SEO), um site profissional, um perfil completo e atualizado no Google Perfil da Empresa (antigo Google Meu Negócio), produção de conteúdo educativo, gestão ativa de avaliações, eventualmente anúncios pagos dentro das regras vigentes, páginas de destino (landing pages) claras, canais de contato como WhatsApp, sistemas de agendamento online e, por fim, alguma forma de relacionamento contínuo com o paciente.

O agendamento fora do horário comercial ilustra bem por que essa combinação importa. Segundo dados internos citados pela Doctoralia, cerca de 35% dos agendamentos em sua plataforma ocorrem fora do expediente — ou seja, quando o consultório está fisicamente fechado, mas o paciente decidiu marcar uma consulta. Sem uma estrutura digital que permita esse tipo de conversão a qualquer hora, esse volume de pacientes simplesmente se perde.

6. A ética antes do algoritmo: o que a Resolução CFM nº 2.336/2023 permite e o que proíbe

Nenhuma estratégia de marketing médico no Brasil pode ser dissociada das regras estabelecidas pelo Conselho Federal de Medicina. Em vigor desde 11 de março de 2024, a Resolução CFM nº 2.336/2023 substituiu a norma anterior, de 2011, após um processo de mais de três anos, que incluiu consulta pública com mais de 2.600 sugestões e uma série de audiências com sociedades médicas.

Entre as mudanças mais relevantes, a nova resolução passou a reconhecer explicitamente redes sociais — sites, blogs, Instagram, Facebook, YouTube, WhatsApp, TikTok, LinkedIn, entre outras — como canais legítimos de divulgação profissional. Ela também passou a permitir que o médico informe valores de consultas e procedimentos, ofereça formas de parcelamento, realize campanhas promocionais e utilize imagens de "antes e depois" com finalidade educativa, desde que respeitados critérios específicos de autorização e privacidade do paciente. É permitido, ainda, repostar elogios e depoimentos espontâneos publicados por pacientes em suas próprias redes — desde que os textos sejam sóbrios, sem adjetivos que sugiram superioridade ou promessa de resultado.

Por outro lado, a norma mantém e reforça limites importantes. A identificação do paciente em imagens não é permitida mesmo quando ele autoriza o uso — a resolução exige que se preserve o anonimato, o pudor e a privacidade, conforme também determina o artigo 75 do Código de Ética Médica. Comunicações sensacionalistas, promessas de resultado e comparações que sugiram superioridade sobre outros profissionais seguem proibidas. Toda publicidade médica — seja em site, blog, rede social ou anúncio pago — deve trazer, de forma visível na página principal do perfil, o nome completo do médico, seu número de registro no conselho regional e a palavra "médico" associada ao nome.

Vale um alerta de precisão: normas como essa estão sujeitas a atualizações e interpretações específicas do CFM e dos conselhos regionais de medicina, e a orientação mais segura para qualquer profissional é sempre consultar diretamente a resolução vigente e os canais oficiais do conselho, em vez de se basear apenas em resumos de terceiros — inclusive o desta reportagem.

7. A infraestrutura digital para médicos: o caso da SPASS Pró

Parte da resposta do mercado a esse cenário regulatório e competitivo veio na forma de plataformas voltadas especificamente a oferecer infraestrutura digital para profissionais de saúde. Um exemplo desse tipo de solução é a SPASS Pró, serviço direcionado a médicos oferecido pela SPASS, empresa de acesso a serviços com desconto que opera como rede de parceiros no país.

Segundo informações do próprio site da plataforma (pro.spass.com.br), a proposta é ajudar consultórios a ampliar sua presença na internet por meio de páginas de perfil voltadas ao posicionamento em buscadores, com o objetivo declarado de aparecer entre os primeiros resultados do Google para a especialidade e a região do médico. O serviço inclui um perfil com campo de contato via WhatsApp para que pacientes iniciem contato diretamente, e é oferecido em formato de assinatura mensal sem comissão sobre as consultas realizadas.

Esse tipo de proposta — perfil profissional otimizado, contato direto e ausência de comissionamento por atendimento — reflete um movimento mais amplo do setor de saúde digital brasileiro: a criação de ferramentas pensadas para viabilizar, de forma relativamente simples, que médicos individuais e pequenas clínicas — que muitas vezes não têm equipe própria de marketing — consigam construir uma presença digital funcional sem depender de grandes investimentos em agências. É importante notar que a SPASS Pró compete nesse espaço com plataformas bem mais estabelecidas e de escala internacional, como a própria Doctoralia, e não há dados públicos e independentes que permitam classificá-la como líder desse mercado — trata-se de mais um entre os diversos modelos de negócio que vêm surgindo para atender à mesma demanda: tornar profissionais de saúde mais fáceis de encontrar.

8. Mais médicos, mais competição digital

O crescimento acelerado do número de médicos no Brasil é, ao mesmo tempo, uma conquista de acesso à formação médica e um fator que intensifica a disputa por atenção digital. Segundo a Demografia Médica 2024, do CFM, o país tinha, em janeiro daquele ano, 575.930 médicos ativos — a maior proporção já registrada na história nacional, de 2,81 médicos para cada mil habitantes, superior à de países como Estados Unidos, Japão, Coreia do Sul e México.

O crescimento é expressivo em qualquer recorte temporal. Em relação a 2010, quando o país tinha cerca de 304 mil médicos, o total quase dobrou em 14 anos. Desde o início dos anos 1990, quando havia 131.278 médicos no Brasil, o número mais que quadruplicou — um crescimento médio de 5% ao ano na população médica, contra apenas 1% ao ano na população geral, segundo o próprio CFM. O país soma hoje 389 escolas de medicina, a segunda maior quantidade do mundo, atrás apenas da Índia — um dado que o próprio CFM trata com ressalvas, alertando para o risco de expansão de vagas sem garantia equivalente de qualidade formativa.

Essa expansão, no entanto, não é uniforme. Estados como o Distrito Federal (6,3 médicos por mil habitantes), Rio de Janeiro (4,3), São Paulo (3,7), Espírito Santo (3,6), Minas Gerais (3,5) e Rio Grande do Sul (3,4) concentram densidade médica muito acima da média nacional, enquanto Amazonas (1,6), Amapá (1,5), Pará (1,4) e Maranhão (1,3) seguem com os menores índices do país — ainda que esses estados tenham registrado crescimento superior a 67% na última década e meia, segundo o CFM.

O resultado prático é que, nos grandes centros urbanos — justamente onde a densidade médica e a concorrência são maiores —, o desafio deixou de ser apenas "ser um bom médico" e passou a incluir, de forma cada vez mais explícita, "ser encontrado pelo paciente certo, no momento certo". Dois profissionais igualmente qualificados podem ter volumes de agendamento muito diferentes dependendo, simplesmente, de qual deles aparece — e de forma mais confiável — quando um paciente pesquisa no Google.

9. O futuro do marketing médico: inteligência artificial, buscas por respostas e a próxima fronteira

Se a última década foi marcada pela migração do paciente para o Google, o momento atual é de uma segunda transição: da busca por links para a busca por respostas prontas, entregues diretamente por sistemas de inteligência artificial. Segundo dados do Google e da Ipsos citados por reportagens recentes, 81% dos brasileiros já utilizam ferramentas de IA generativa, como ChatGPT e Gemini, para realizar pesquisas online — incorporando esses assistentes à rotina de busca ao lado do Google tradicional.

O próprio Google já começou a responder a essa mudança de comportamento: os "AI Overviews" — resumos gerados por inteligência artificial exibidos no topo dos resultados de busca — chegaram ao mercado brasileiro em agosto de 2024, meses antes de países como a Espanha, segundo levantamentos do setor de marketing digital. Esse tipo de recurso tende a reduzir os cliques para os links tradicionais em buscas informativas, o que já vem sendo apontado pela indústria como um fator de queda expressiva no tráfego orgânico de sites em determinadas categorias de pesquisa.

Esse cenário deu origem a duas novas disciplinas de otimização digital, que começam a se somar ao SEO tradicional: o AEO (Answer Engine Optimization), voltado a estruturar conteúdo para ser a resposta direta entregue por mecanismos de busca, e o GEO (Generative Engine Optimization), cujo objetivo é fazer com que uma marca, um site ou um profissional sejam citados como fonte confiável nas respostas geradas por sistemas como ChatGPT, Gemini e Perplexity. Na prática, para um médico ou uma clínica, isso significa que já não basta mais ranquear bem numa lista de links — é preciso que o conteúdo produzido seja claro, bem estruturado e confiável o suficiente para ser reconhecido e citado por uma inteligência artificial quando um paciente perguntar, por exemplo, "qual especialista devo procurar para dor lombar crônica em [cidade]".

Essa transformação já aparece dos dois lados da relação médico-paciente. Pelo lado do paciente, a pesquisa do IESS de 2026 mostra que 19% dos brasileiros que buscam informações de saúde já usam IA para compreendê-las. Pelo lado dos profissionais, a pesquisa TIC Saúde 2024 indica que 17% dos médicos brasileiros e 16% dos enfermeiros já utilizam ferramentas de inteligência artificial generativa em sua rotina — de triagem assistencial a gestão de agenda.

A telemedicina, hoje regulamentada de forma permanente no país, também segue como parte estrutural dessa jornada digital, especialmente em especialidades como psiquiatria, psicologia, dermatologia e nutrição, que se adaptaram com facilidade ao atendimento remoto. Some-se a isso a tendência de automação de atendimento via WhatsApp, cada vez mais citada por consultorias do setor como uma das apostas de maior retorno para clínicas em 2026, e o quadro é de uma jornada do paciente que se torna, ano após ano, mais fragmentada entre diferentes interfaces — busca tradicional, redes sociais, assistentes de IA, aplicativos de agendamento — e, ao mesmo tempo, mais dependente de presença digital consistente em todas elas.

Uma nova competência profissional

O marketing médico deixou de ser apenas uma ferramenta de divulgação e passou a fazer parte da própria jornada digital do paciente. Em um país que soma quase 600 mil médicos ativos — concentrados de forma desigual pelo território — e uma população cada vez mais habituada a pesquisar saúde na internet antes de agir, ser encontrado, transmitir credibilidade e facilitar o acesso ao atendimento se tornou um desafio adicional, e cada vez mais central, para quem exerce a medicina no Brasil.

Isso não substitui, nem deveria substituir, a competência clínica como critério central da profissão — e as próprias regras do CFM existem justamente para impedir que a comunicação distorça essa hierarquia, priorizando sempre o caráter educativo e ético da informação sobre a autopromoção. Mas, na prática cotidiana de consultórios, clínicas e hospitais, um dado já parece consolidado: a porta de entrada do cuidado em saúde, para uma parcela relevante da população brasileira, passa hoje por uma tela e por uma busca digital — e cabe a cada profissional decidir se, e como, vai estar presente nela.

Fontes consultadas

  • Conselho Federal de Medicina (CFM) — Demografia Médica 2024

  • Conselho Federal de Medicina (CFM) — Resolução CFM nº 2.336/2023 e Manual de Publicidade Médica

  • Agência Brasil (EBC) — reportagens sobre a Demografia Médica 2024

  • Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS) / Instituto Vox Populi — pesquisa sobre busca de saúde na internet (janeiro de 2026)

  • Cetic.br / NIC.br / CGI.br — pesquisa TIC Domicílios 2024

  • Cadernos de Saúde Pública (Fiocruz) — estudo sobre busca por informações de saúde na internet e a relação médico-paciente

  • Doctoralia (pro.doctoralia.com.br) — dados sobre uso de plataforma, avaliações e agendamento online

  • Google Ads — Central de Ajuda e Políticas de Publicidade (publicidade personalizada e saúde)

  • SPASS Pró (pro.spass.com.br) — informações institucionais sobre o serviço

  • Pesquisa TIC Saúde 2024 (citada em reportagens sobre tendências tecnológicas na saúde em 2026)

  • Reportagens e artigos especializados em marketing médico, SEO, GEO/AEO e saúde digital publicados entre 2024 e 2026

As informações aqui apresentadas têm caráter jornalístico e informativo. Dados, números e regras regulatórias podem sofrer atualizações; para orientações específicas sobre publicidade médica, consulte diretamente o Conselho Federal de Medicina e o conselho regional de medicina do seu estado.

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